Entenda um pouco mais sobre a doença do Refluxo...

Atualizado: Mar 5

Conceito

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma patologia bastante comum e está relacionada com o retorno aumentado da secreção gástrica para o esôfago. Essa secreção, em constante contato com a mucosa esofágica, pode levar à inflamação e complicações diversas quando não é adequadamente tratada. O refluxo pode ocorrer devido a alterações anatômicas próprias do indivíduo (exemplo: hérnia de hiato) ou associadas a maus hábitos alimentares, obesidade, tabagismo, etilismo, intolerâncias alimentares, entre outros.


A DRGE é uma doença crônica que pode manifestar-se com sintomas constantes ou intermitentes.


Sintomas

Os principais sintomas relacionados a DRGE é a pirose (conhecida como "azia”) e a regurgitação, que é a volta de pequena quantidade de líquido até a garganta ou região alta do esôfago, estes sintomas são chamados de típicos. Entretanto, vários outros sintomas podem ocorrer como dor ou desconforto no estômago, “empachamento”, náuseas, vômitos e até uma dor torácica intensa simulando um infarto cardíaco.


A DRGE, eventualmente, pode manifestar-se com sintomas extra-esofágicos como tosse, globus (sensação de corpo estranho na garganta), pigarro, soluços, aftas orais, rouquidão, halitose (mal hálito), entre outros. Nestes casos classificamos a doença como DRGE atípica.


Diagnóstico

É possível inferir o diagnóstico apenas pela história clínica do paciente. Porém, muitas vezes, é preciso realizar exames diagnósticos para confirmar a DRGE, avaliar melhor sua gravidade ou descartar outras patologias.

Entre os exames mais utilizados estão: Endoscopia Digestiva Alta (EDA); Manometria esofágica, Phmetria ou Impedanciophmetria 24h e Exames contrastados (esofagograma). O médico gastroenterologista é responsável por indicar a necessidade e o melhor momento para a realização de cada um destes exames.


Tenho Refluxo e agora doutor?


O que o paciente deve entender é, que na maioria das vezes, para a solução do problema é necessário ajustes nos seus hábitos alimentares e comportamentais.


Acredita-se que a ingestão excessiva ou frequente de alguns alimentos pode desencadear e/ou piorar os sintomas de refluxo:

  • Cafeína - Deve ser evitada ou ingerida de forma bem restrita pelos portadores de DRGE. Exemplos de alimentos com cafeína – café, alguns chás (Matte, preto, verde), chocolate, coca-cola e termogênicos.

  • Evitar também - Alimentos com alto teor de gorduras, comidas apimentadas e muito salgadas, sucos de frutas cítricas, em especial a laranja, menta e hortelã.

Outras medidas a serem adotadas:

  • Reduzir o volume das refeições, mastigar bem e devagar os alimentos.

  • Evitar beber líquidos durante as refeições, imediatamente antes e/ou após.

  • Observar sintomas de intolerância alimentar, principalmente com leite e derivados.

  • Evitar ou reduzir a ingesta alcoólica.

  • Cessar tabagismo.

  • Evitar deitar-se após as refeições por pelo menos 2 horas.

  • Elevar a cabeceira da cama em 15 cm ou usar travesseiro antirrefluxo - para pacientes com sintomas noturnos.

  • Manter um peso adequado. Pacientes com sobrepeso e obesidade devem procurar tratamento específico para emagrecimento.

  • Estresse emocional, depressão e ansiedade podem ser os responsáveis pelo início e/ou manutenção dos sintomas. Procure tratamento e atividades para aliviar estes fatores.

  • Evitar manobras que aumentem a pressão intra-abdominal como exercícios de agachamento, cintas modeladoras, roupas e cintos apertados.

  • Prática de exercícios respiratórios 5 a 10 minutos por dia ajudam a fortalecer o diafragma.


Medicamentos? Usar omeprazol faz mal?


Existem vários medicamentos que podem atuar no alívio dos sintomas, sendo os inibidores de bomba de prótons (IBPs) os mais eficazes e importantes no controle e tratamento da DRGE. Entre os IBPs temos o omeprazol, pantoprazol, lanzoprazol, esomeprazol, rabeprazol e deslanzoprazol. Atualmente, existem muitas dúvidas em relação ao uso dos IBPs devido estudos conflitantes e anúncios alarmantes da mídia em relação a possíveis efeitos colaterais, mas nunca deve-se interromper o uso da medicação sem a devida orientação médica.


O ideal é evitar o uso crônico, porém os indícios científicos, até o momento, mostram que os IBPs são eficazes e seguros quando usados na terapia de manutenção (uso contínuo), que deve ser individualizada de acordo com a gravidade e resposta ao tratamento e, o mais importante, sempre com acompanhamento médico.


Se o paciente apresenta doença leve e sintomas pouco frequentes, o uso do medicamento pode ser feito de acordo com demanda própria – esquema “SOS”.


Quando é necessário tratamento cirúrgico?


A cirurgia anti-refluxo (fundoplicatura e hiatoplastia) geralmente é reservada para pacientes bem selecionados, que apresentam sintomas persistentes ou complicações a despeito da terapia medicamentosa e das mudanças dietéticas e comportamentais. Pacientes que não toleram, não aderem ou não desejam tomar medicamentos para o resto da vida (quando for o caso) também são candidatos à cirurgia.


Apesar de ser considerada uma cirurgia relativamente simples e de baixo risco, taxas de falhas ocorrem em cerca de 10 a 20% dos casos, com necessidade de reoperações, além da possibilidade de retorno dos sintomas em até 50% dos casos no prazo de 5 anos. Complicações também podem ocorrer no pós-operatório como: disfagia (dificuldade em deglutir), dificuldade para eructar e sensação de “gás preso”, principalmente nos primeiros meses após a cirurgia.


AUTORA - Dra Valéria Dantas de Oliveira – Gastroenterologista/ Hepatologista - CRM-DF 17292


Referências

- Brito, Eliza M; Moretzsohn, Luciana D. Doença do Refluxo Gastroesofágico. In: Dani, Renato. Gastroenterologia Essencial. 3 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. P. 96 – 105.


- Kahrilas, Peter J. Clinical manifestations and diagnosis of gastroesophageal reflux in adults. UpToDate. 2020. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents>. Acesso em 23/11/2020.


- Kahrilas, Peter J. Medical management of gastroesophageal reflux disease in adults. UpToDate. 2020. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents>. Acesso em 23/11/2020.


- Moraes-Filho, Joaquim Prado P. et al . Guidelines for the diagnosis and management of gastroesophageal reflux disease: an evidence- based consensus. Arq. Gastroenterol., São Paulo , v. 47, n. 1, p. 99- 115, Mar. 2010.


- Schwaitzberg, Steven D. Surgical management of gastroesophageal reflux in adults. UpToDate. 2020. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents>. Acesso em 23/11/2020.



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