Esteatose hepática - o que é preciso saber?

Atualizado: Mar 5

Conceito

A Esteatose Hepática ou Doença Gordurosa do Fígado Não Alcoólica ou Doença Hepática Gordurosa associada à Síndrome Metabólica (nome mais recente) é a doença mais comum do fígado na atualidade.


Geralmente, a Esteatose Hepática está relacionada ao sobrepeso e obesidade, e pode estar acompanhada de outras doenças como: Síndrome da Resistência Insulínica (Pré-diabetes), Diabetes, “colesterol alto”, Hipertensão Arterial e outras doenças cardio-vasculares. Todos os pacientes com diagnóstico de Esteatose Hepática devem ser rastreados para estas comorbidades.


A ingestão abusiva de álcool também pode levar a gordura no fígado e deve ser sempre descartada como causa do problema, assim como outras hepatopatias: hepatites virais, auto-imunes, tóxicas e metabólicas.


A maioria dos pacientes tem uma evolução benigna, porém, até 20% pode evoluir ou já apresentar inflamação no fígado e, consequentemente, ter maior risco de desenvolver Cirrose hepática (doença terminal do fígado que apresenta alta morbidade e mortalidade).


Sintomas

Alguns pacientes podem referir um desconforto leve a moderado na região do fígado, que fica no quadrante superior direito do abdome. Entretanto, a doença costuma ser assintomática e os primeiros sinais clínicos podem surgir apenas na fase avançada da doença, quando já se instalou uma cirrose hepática.


Diagnóstico

A suspeita diagnóstica, geralmente, é feita durante avaliação de rotina quando observa-se alterações das enzimas hepáticas visto nos exames laboratoriais e/ou durante a realização de exames de imagem do abdome: ecografia, tomografia ou ressonância magnética.


Para confirmação e melhor avaliação prognóstica pode-se realizar a elastografia hepática, exame mais específico para quantificar a gordura hepática, a presença de inflamação e fibrose, preditores de evolução desfavorável. A elastografia hepática pode ser realizada por protocolos específicos de ressonância ou ecografia, ou por um aparelho chamado Fibroscan.


A biópsia hepática ainda é o padrão ouro para o diagnóstico entretanto, por ser um exame invasivo e sujeito a complicações, deve ser reservada para casos de dúvida diagnóstica ou suspeita de doença avançada.


O QUE FAZER?


Embora existam alguns medicamentos que aparentemente levam a uma melhora da inflamação do fígado, ainda não existe nenhum tratamento medicamentoso comprovadamente eficaz em reverter a esteatose ou impedir a sua evolução.


Entre os medicamentos que mostraram algum benefício e podem ser usados de forma off label em casos selecionados estão: a metformina, vitamina E, pioglitazona, omega 3, liraglutida, entre outros. Sendo sempre necessário a avaliação do hepatologista para avaliar a necessidade e a melhor opção terapêutica.


Hepatoprotetores como a Silimarina falharam em mostrar benefícios. Medicamentos fitoterápicos, que são comercializados, muitas vezes, como “medicamentos naturais” e "desintoxicantes do fígado", também não possuem evidências científicas de benefícios e podem até causar hepatotoxidade e piorar o problema. Logo, não se deve tomar medicamentos sem orientação médica, mesmo os “naturais".


Até o momento, a única conduta comprovadamente eficaz em evitar a evolução da doença e as complicações é o emagrecimento e a perda de gordura corporal, apesar de haver medicamentos que possam ajudar nesse processo, mudanças no estilo de vida são imprescindíveis.


Orientações


- Evite álcool! Nos casos leves, a ingestão de bebidas alcoólicas de forma moderada e ocasional pode ser permitida após a avaliação do especialista.


- O consumo de Café (sem açúcar) mostrou benefícios para doença gordurosa do fígado, e deve ser apreciado caso o paciente não tenha problemas com cafeína, como nos casos de refluxo e gastrite.


- Dê preferência aos alimentos de baixo índice glicídico: frutas, alimentos integrais, tubérculos (ex. Batata doce, mandioca, cenouras), etc. E evite os de alto índice glicídico (>70): farinha branca, bolo, batata inglesa, arroz branco, macarrão, massas, tapioca, refrigerante, açúcar.


- Evite o consumo frequente de alimentos processados, bolos, biscoitos recheados, salgadinhos, sorvetes, chocolates com menos de 60% cacau, refrigerantes, entre outros. Evite deixar esses produtos estocados em casa e de fácil acesso.


- Comer pequenas quantidades, ainda que sejam alimentos saudáveis.


- Realize exercícios físicos pelo menos 3 vezes por semana, procure conciliar exercícios aeróbicos e fortalecimento muscular.


"Emagrecer para chegarmos ao peso ideal não é somente uma questão de estética. É qualidade de vida”.


A obesidade está relacionada a fatores ambientais, genéticos e epigenéticos, entretanto, a responsabilidade por uma vida saudável é toda sua!


Dra Valéria Dantas de Oliveira CRM DF 17292


Referências


Referências Cotrim HP, Parise ER, Figueiredo-Mendes C, Galizzi-Filho J, Porta G, Oliveira CP. Consenso da Sociedade Brasileira de Hepatologia para doença hepática gordurosa não alcoólica. Arq Gastroenterol. 2016,53(2): 118-22.


Leoni S, Tovoli F, Napoli L, Serio I, Ferri S, Bolondi L. Current guidelines for the management of non-alcoholic fatty liver disease: A systematic review with comparative analysis. World J Gastroenterol 2018; 24(30): 3361-3373






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